2007-03-31

London - Day 8

Outro dia a sair cedo de casa. Era a minha última ida a Londres - o meu passe de sete dias chegava ao fim e, honestamente, o dinheiro estava demasiado curto - e, teoricamente, as hostilidades começariam no Imperial War Musem antes de uma ida ao Soho, Oxford Street e por aí fora... Mas como eu disse, isto foi na teoria.

Com a máquina, o London A to Z, a merenda e a garrafita de água Evian na mochila, fiz o caminho até Waterloo e dali caminhei em direcção ao dito museu. Depois de umas fotografias cá fora, de uns canhões brutais com uns obuses que me davam pelo peito, coloquei o pé no interior do mueseu eram exactamente 10h27. Fixem bem este dado...

Antes de mais, devo explicar aqui que sou um grande entusiasta por História, sobretudo o período relativo às I e II Guerras Mundiais, bem como o entre-guerra e o pós-II Guerra. Quando miúdo, ainda no Rio de Janeiro, lembro-me de uma visita a um navio de guerra com o meu pai e tenho em casa fotos tiradas dentro de um tanque, com a minha metralhadora de plástico nas mãos, etc...

Creio que todos os rapazes, em determinada altura da vida, têm este fascínio por veículos de guerra e afins (outros como o Bush e o Bin Bin continuam a ter este entusiasmo mesmo quando já crescidos) e eu, ao entrar no Imperial War Museum estava no meu ambiente... Havia de tudo: um Spitfire, um Stuka, uma réplica de um V2 lançado sobre Londres, o tanque utilizado pelo Montgomery no confronto dos seus Desert Rats contra o Afrikakorps de Rommel, uma réplica de uma bomba idêntica ao 'Little Boy' que foi lançado sobre Hiroshima, metralhadoras, canhões variados... Enfim, um encanto para os meus olhos.

E claro, eu ia lendo tudo ao detalhe, ia apreciando cada pedacinho da exposição. Mas isto era só o aperitivo. O bom, este, veio a seguir. Desci umas escadas e comecei a seguir o percurso da exposição sobre a I Guerra. Sim, porque era de facto um percurso, com tudo muito bem alinhavado, muito claro, bem explicado e, sobretudo, completíssimo. Só para vos dar uma ideia, a dada altura desta primeira parte, temos a oportunidade de experimentar o que era a vida nas trincheiras onde se lutaram muitas das batalhas do confronto de 1914-18.

Seguiu-se a exposição sobre a II Guerra Mundial e uma vez mais foi algo de arregalar a vista. Garanto-vos que nunca vi nada de tão completo e tão bem explicado como ali no Imperial War Museum. Fardas, pistolas, espingardas, cartas, objectos pessoais de verdadeiros intervenientes no conflito... Tal como acontecia para a I Guerra, para este período da história também havia um momento "experimente por si próprio": numa secção do piso -1 do museu, foi recriada aquilo que seria uma noite para os cidadãos de Londres durante a II Guerra, com a famosa blitz.

Não só entramos num bunker (com bancos que abanaram quando se simulou a explosão de um V2 ali perto), mas também mostraram como eram os prédios demolidos e, isto então deixou-me abismado, até os cheiros de pólvora, de pó e aquele ar pesado que se teria respitado num dos abrigos havia... Fabuloso!

Mas o meu grande momento veio depois... Sim, foi já no fim da exposição sobre a II Guerra, numa altura em que estava a pensar no que haveria de ver a seguir... Olhei e de início até pensei que era uma cópia... Mas não, lá estava a águia de bronze que pontificava na fachada principal da Chancelaria do Reich quando o edifício foi tomado de assalto pelos russos, nos últimos dias da guerra e da batalha de Berlim. A águia, ainda com as marcas das balas que se dispararam de um lado e de outro durante aqueles dias... Uma porção da História mundial ali à minha frente que tive que tocar e fotografar... Ainda agora arrepio-me só de reviver o momento.

Mas eu tinha ido ali, porque me fora dito que havia uma excelente exposição sobre o Holocausto, pelo que, depois de palmilhar cada pedacinho do -1, lá fui em direcção ao andar da referida 'exibition'. E sim, foi a melhor apresentação do que foi o Holocausto que alguma vez vi. Nada de "toma lá campo de concentrações e tipos magros para ficares com peninha"... Nada disso... Uma exposição que começa no pós-guerra, na vida dos judeus antes, durante e no pós Hitler. Verdadeiramente incrível e simplesmente arrebatador. Eu por muito que queira, creio que não conseguiria colocar aqui em palavras o quão bom aquilo foi...

Posso apenas dizer que após ter visto tudo aquilo, saí do espaço e voltei a ligar o meu telemóvel (era obrigatório desligá-lo antes de entrar no espaço da exposição) para tentar ver se tinha passado muito da minha hora de almoço. É que parecendo que não, já estava com a barriga a dar horas e não percebia bem porquê... Pois bem, ao olhar para o telemóvel, até me ia dando uma coisa... 17h01!! Eu estive mais de seis horas e meia dentro do museu, sem almoçar e mal me tinha dado conta do tempo a passar. Tendo já visto praticamente tudo no museu, lá fui eu, de sandocha em punho (ainda comi uma salada, um quarter pouder e uma cola no Mac da estação de Waterloo), de volta para os comboios que me iriam levar a Richmond.

Chegava ao fim as minhas deambulações londrinas e esperavam-me agora dois dias para relaxar, recuperar as forças e sono em atraso. Honestamente, foi o meu melhor dia em Londres. Só estive num único museu, mas valeu por todos os museus visitados até então. Só lá faltou...


"A lealdade e o respeito são uma forma de vida"
Aniki

2 Comments:

Blogger Lima Limão disse...

passei para dar um OI =)
**

2/4/07 20:42  
Blogger Aniki disse...

Retribuo o 'oi' e suspiro de alívio... Já estava a pensar que ninguém mais parava por estes lados ;o)

Beijocas Paulinha **

2/4/07 21:15  

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